sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Lages faz parte do roteiro de ciclista que já percorreu mais de 400 mil quilômetros rumo ao Guiness Book - Mais de 280 oportunidades no Banco do Emprego - Prefeitura cria projeto de estímulo à produção de peixe


É uma viagem solitária e solidária, mas instigante e inspiradora

Literalmente, Elias Rosa deixa qualquer um “no chinelo” se a conversa principal for esporte sobre duas rodas. Mas não se está falando de motocicleta, que tem o motor cheio de energia, mas sim do fôlego e da força gerada pelos pés. Como repete em cada cidade por onde passa, o esportista internacional Elias da Silva, deu uma breve parada em Lages nesta terça-feira (9), para apanhar uma declaração oficial na Prefeitura.
O documento serve como comprovante de sua passagem pelo local e será arquivado junto a tantos outros em seu portfólio, um de seus companheiros assíduos de viagem na bagagem de sua bicicleta. Ele mostra a todos os curiosos a pasta, em que constam, ainda, recortes de jornais tendo Elias como protagonista. Algumas folhas já amareladas, e as mais novas, seguiram por mais milhares de quilômetros mundo afora. Roupas, ferramentas, barraca, garrafa térmica de água e bomba de encher pneus fazem parte do acervo. O ciclista chegou a Lages noite passada, vindo de São José do Cerrito. Esta é sua segunda vez na cidade, a primeira foi quando passou vendendo tapetes tempo atrás.
Nos municípios anfitriões o ciclista aproveita para buscar apoio de alimentação, estadia e promover sua história. É uma viagem solitária e solidária.
A próxima cidade do roteiro será São Joaquim e de lá irá pedalar rumo a Bom Jardim da Serra, onde descerá a cobiçada Serra do Rio do Rastro, onde gravará novas imagens deste paraíso, além de descer para Lauro Müller e Orleans, cortando a região sul. Outros Estados estão nos planos, como Rio de Janeiro e Minas Gerais pela BR 040 até estacionar em Brasília, onde começará uma nova missão. “Eu não paro nunca, e agora vou direto a Brasília entregar todo esta papelada ao Ministério do Esporte a fim de obter uma Bolsa Atleta Internacional (dois salários mínimos mensais).” A previsão é de avistar a capital federal dentro de três meses. Se conseguir, seu plano é se mudar para Manaus (AM) e trabalhar com um parente dono de um camping/balneário em chalés e cabanas em favor do esporte e do turismo.

430 mil quilômetros e 19 países

Oito anos. Este foi o tempo que o esportista demorou para percorrer o Brasil inteiro, além de 19 países, distribuídos em 12,8 mil municípios. Entres os países visitados estão Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Equador, México, Venezuela, Guiana Francesa e Inglesa, Suriname, Panamá, Bolívia, Colômbia, Guatemala, Honduras, Nicarágua, El Salvador, Trinidad e Tobago e Cuba. São 21 anos vivendo em plena aventura, comemorando a marca de 430 mil quilômetros (completados em 15 de dezembro, quando voltou ao Brasil por São Miguel d’Oeste). O ciclista recordista já falecido, Manoelito Silva, percorreu 210 mil, portanto, o catarinense já o ultrapassou com larga vantagem.  “Tenho tudo para provar. Estes documentos deixam a carga ficar mais pesada”, brinca o esportista bem humorado. Coleciona, ainda, situações inóspitas, como ter acordado dentro de uma barraca e se deparar com uma onça pintada na Amazônia. Para ele, os argentinos são o povo mais interessante. “São anjos.”
No entanto, o objetivo é mais ousado do que a Bolsa Atleta: Entrar para o Guiness Book como o homem que mais pedalou em toda a América. “Eu prometi 500 mil quilômetros. Recebo prêmios quando me convidam a participar de maratonas ciclísticas. Dou um jeito de arrumar pneus mais finos, de corrida mesmo. Fiz isto em vários países.”

Saudável e apesar de guerreiro, sensível

Elias Rosa tem 46 anos, 62 quilos e é natural de Pinhalzinho, passando boa parte de sua vida em Palmito. “Minha casa é a bike”, revela o ex-secretário de taxistas. Ele tem o ensino médio completo e fala português, espanhol, castelhano e francês. Caçula de um total de 15 filhos, ele não tem moradia fixa e nem paradas obrigatórias. É livre e realiza sonhos invejados por grandes empresários presos dentro de seus ternos, e tensos com as decisões do dia a dia.  Tem irmãos e parentes em Joaçaba e Joinville. Não é casado e pai de um casal de gêmeos, Jéssica e Júlio, com 25 anos, moradores em Capivari de Baixo. Elias é incomunicável. “Faz anos que não os vejo.” Viaja sem celular - já lhe furtaram oito aparelhos - apenas com uma simples câmera fotográfica pendurada no pescoço, com pen drives e cartões de memória. E é claro que ele não deixou de registrar uma foto da Catedral Diocesana. Esta vida cheia de emoções começou por incentivo de sua prima, Andréa Michele Alves, que deu um “empurrão” para sair do comodismo. Um diário está sendo formado pelo esportista e dará ensejo a um livro, “A Saga de um Aventureiro”. Ele se queixa da falta de um notebook, pois por enquanto é de próprio punho que eterniza suas experiências.

Precisa de apoio

Embora sua história pareça plenamente leve e feliz, não é bem assim que ocorre no cotidiano de quem teve esta coragem ímpar de andar de bicicleta pelo mundo todo. Uma das dificuldades é encontrar mão de obra gratuita para alguns consertos do seu veículo. “Eu tenho todas as peças (catraca, corrente e pé de vela), mas faltam recursos para pagar o mecânico, fazer montagem e lubrificação. Preciso de apoio em cada cidade. Sem dinheiro é complicado.” As reações quando é avistado nas cidades são positivas. “Elas elogiam. Bruce Lee falava que força, raça, determinação e coragem são as principais características de um vencedor. A hora que o pôr-do-Sol chega eu sinto que vale a pena. É uma grande escola. Lidar com o povo é maravilhoso.” A fé é sua fonte de inspiração. “Deus vai na garupa da bicicleta e, muitas vezes, na frente. Todo dia pela manhã, antes de sair, faço uma oração e peço para o Senhor tomar conta do meu caminho”, confessa, às lágrimas.







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